CASO VARIGDenise Abreu deporá no Senado
Governo e oposição selam acordo e aprovam ida de ex-diretora da Anac à Comissão de Infra-Estrutura
BRASÍLIA - O governo e a oposição fecharam acordo na Comissão de Infra-Estrutura do Senado para iniciar na próxima quarta-feira as audiências públicas destinadas a esclarecer a operação de venda da Varig. A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, que denunciou ter sido pressionada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para facilitar a transação, estará frente à frente com outros ex-dirigentes da Anac e procuradores que participaram da negociação.
Entre os sete convidados estão Milton Zuanazzi, ex-presidente da Anac, o juiz Luiz Roberto Ayoub, que coordenou o processo de recuperação judicial da Varig, e Manoel Felipe Brandão, ex-procurador da Fazenda Nacional. Foram chamados ainda João Ilídio de Lima Filho, que foi procurador-geral da Anac, e os ex-diretores da agência, Leur Lomanto e Jorge Velozo.
Todos foram convidados a prestar depoimento, já que a comissão só tem poder para convocar ministros. Embora seu nome tenha sido aprovado pela comissão, o advogado Roberto Teixeira será chamado para a segunda audiência, marcada para o dia 18 de junho, juntamente com funcionários e compradores da Varig.
O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), assumiu o compromisso de formalizar esse requerimento, que será assinado também pela oposição. Teixeira é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi acusado por Denise Abreu de usar sua influência no governo para beneficiar os compradores da Varig e da Variglog.
A decisão de não medir força com a oposição foi tomada na véspera, em reunião, no Palácio do Planalto. Depois de consultar o ministro de Relações Institucionais, José Múcio, e a própria Dilma, Jucá voltou ao Congresso para desarmar o PT, que já estava pronto para enfrentar o PSDB e o DEM.
A líder do bloco governista, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), ameaçava derrubar o convite a Denise Abreu e encerrar logo a polêmica. No entanto, foi convencida de que essa estratégia deixaria o governo na defensiva, levando Dilma Rousseff novamente à berlinda. "A oposição teme Dilma como candidata à Presidência da República", afirmou Jucá, depois da aprovação dos requerimentos.
Na verdade, o governo evitou que a palavra ficasse apenas com Denise Abreu. Será uma espécie de acareação e a expectativa é de que as eventuais contradições possam esvaziar as denúncias da ex-diretora da Anac. Resolvido o problema com o PT, os líderes aliados ao Planalto chegaram à Comissão de Infra-Estrutura repetindo que o governo não tem medo de investigação e deseja apurar as denúncias de Denise Abreu.
A oposição, que ficou sem instrumento para pressionar Dilma depois do fim melancólico da CPI dos Cartões Corporativos, vê no caso Varig uma oportunidade de retomar a investida. O nome da ministra foi mencionado sucessivas vezes pela oposição e pela base governista.
Além dos senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Demóstenes Torres (DEM-GO), que citaram Dilma, o peemedebista Wellington Salgado (MG) ressaltou que a oposição queria desgastar a ministra. "Poderíamos ter ido para o voto e ficar apenas nos nomes que sugerimos", afirmou Ideli, diante das provocações de oposicionistas.
Segundo ela, se quisesse, o governo poderia ter imobilizado a oposição, já que tem a maioria do colegiado. As audiências envolvendo os dois lados na operação de compra e venda da Varig e Variglog serão, na avaliação de Romero Jucá, decisivas para esclarecer os fatos.
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